14 Fevereiro 2007

Gaivota

Alexandre O'Neill escreveu:

Gaivota

Se uma gaivota viesse

trazer-me o céu de Lisboa

no desenho que fizesse,

nesse céu onde o olhar

é uma asa que não voa,

esmorece e cai no mar.


Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.


Se um português marinheiro,

dos sete mares andarilho,

fosse quem sabe o primeiro

a contar-me o que inventasse,

se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.


Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,

me dessem na despedida

o teu olhar derradeiro,

esse olhar que era só teu,

amor que foste o primeiro.


Que perfeito coração

morreria no meu peito morreria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde perfeito

bateu o meu coração.



Faustino G. Camacho fotografou:



Eu achei... interessante e partilho.

Sra da Cabeça


Senhora da Cabeça (2ª feira de Páscoa)
Isto foi em 2006, na tradicional romaria à Senhora da Cabeça que se realiza em Cristelo Côvo, Valença. Veremos como vai ser este ano, depois do referendo ao aborto.

13 Fevereiro 2007

O sim ganhou

- Pai, o primeiro referendo ao aborto não foi vinculativo por não ter tido uma participação acima de metade dos eleitores, verdade?
- Sim, por isso se fez este agora.
- Entendo. Então quando é que se vai voltar a referendar o aborto?
- Agora não é preciso, o sim ganhou.

01 Junho 2006

Violência? Não, obrigado.

A reportagem, sobre a violência escolar, que a RTP mostrou na passada terça-feira, não me chocou.
Se atentarmos no comportamento de muitos portugueses, tanto nas estradas ou campos de fútebol, como no recato dos seus lares (veja-se a violência doméstica), as imagens da RTP não surpreenderam. O que me surpreende é a maneira como lidamos com essas coisas: metemos a cabeça na areia.
Alguém já se imaginou, sendo professor e ter que aguentar tudo aquilo? E os nossos filhos? Estarão a aprender a serem violentos também?
A protecção dada pelo "sistema" aos menores pode ser a causadora de muito do que acontece por aí. Se o autor de uma agressão fosse severamente punido, independentemente da sua idade, talvez a violência reduzisse. É que os menores, vão ser adultos, e se os deixar-mos sossegadinhos, eles crescendo no meio da violência, acabarão por serem adultos violentos, e educarão os seus da mesma forma.
Actuem em quanto é tempo. Ou será que todos temos que conviver com marginais?
Que a lei do mais forte não impere. Faça-se justiça, e que seja cega, sem atenuantes de nenhuma natureza.

09 Fevereiro 2006

Liberdade de expressão

Para recolher o maior número de informação possível sobre o assunto, encontrei uma guerra de palavras que mostra bem o que certas pessoas entendem por liberdade de expressão.
Veja aqui alguns exemplos.

Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé

Caricatura:(desenho, descrição, etc.) retrato de pessoas ou acontecimentos que assenta no exagero cómico de alguns dos seus traços distintivos.
Por causa da polémica publicação das caricaturas, andei saltitando de blogue em blogue, de link em link e a preocupação com a liberdade de expressão é geral. Meu deus! Será que me devo preocupar também?
Será que ninguém entende que, dada a gratuitidade dos desenhos, a sua publicação atingiu os seus objectivos, que serão os de lançar mais uma acha para a fogueira?
Caricaturar, pensava eu mas devo estar enganado, é acentuar através do desenho os aspectos negativos de alguém. Ora o tal profeta não era favorável ao terrorismo, daí que eu condene as caricaturas. E tem mais: caricaturar alguém sem motivo não me parece correcto. Ou será que o motivo existe e eu não o encontro? É caso para dizer que a montanha foi a Maomé.
Por acaso alguém se questionou sobre a errada opinião, a que somos levados a formar em torno da figura caricaturada?

08 Fevereiro 2006

As caricaturas de Maomé e os seus objectivos

A “crise” gerada pela publicação das caricaturas de Maomé deve ter objectivos que ainda não li, ou ouvi descodificados. Mas deve ter fortes motivos. Senão para quê a sua publicação? E não foi para gerar a discussão (absurda) em torno da liberdade de expressão.
Em Portugal ninguém, ou quase ninguém, é a favor da restrição da liberdade de imprensa. Eu também sou defensor desse direito inalienável. No entanto sou contra a publicação das caricaturas que conotam Maomé com o terrorismo.
Em Portugal, não há muitos anos, uma caricatura do Papa, com um preservativo no nariz, foi motivo de uma grande movimentação (e contestação), com muitos dos nossos políticos a manifestarem o seu desacordo, relativamente à sua publicação. Nesse momento eu defendi o caricaturista. Só que há uma grande diferença entre essa caricatura e a que agora levantou toda esta celeuma: é que o Papa era, efectivamente, contra o uso do preservativo, e o Maomé não era a favor do terrorismo. Ou seja, o que aqui está errado, é a conotação abusiva e estúpida do sujeito com o objectivo.
Mas, de facto, deve haver outra explicação para a decisão de fazer publicar as malfadadas caricaturas nesta altura. Deve, deve! Só não sei qual é. Mas gostava de saber.

03 Janeiro 2006

PT no século 21

A página inicial do sapo demora mais de dez minutos a abrir!
Esta afirmação é falsa e verdadeira ao mesmo tempo, consoante a ligação que se tem. A minha ligação ainda é do século passado.
Desconfiado, porque já demorou muito menos a abrir o sapo, pacientemente esperei que abrisse a página da PT, e pesquisei a cobertura do meu número telefónico: "Infelizmente na sua área de residência ainda não está disponível o serviço ADSL", qualquer coisa como isto foi a resposta que obtive. Enviei um mail à PT, dando conta do sucedido, e informei que já estava à espera da banda larga há muito tempo. Resposta em poucas horas: "O número de telefone que nos indicou deverá estar apto a receber o acesso ADSL."
Ufa!!! Finalmente!
Vou agora estudar a melhor oferta e gozar a velocidade da Internet.

21 Dezembro 2005

Finalmente acabaram

Era manhã, bem cedinho. A iluminação pública ainda ardia, ofuscando os enfeites de natal, dificultando a minha tarefa de testar a luz matinal na velhinha D70.
Dentro do velho R19, ouvi no rádio a queixa de Manuel Alegre. Não percebi puto. Não era para ser percebido.
Afinal, na noite anterior, tinha havido um “debate” na televisão, e depois, esqueceram-se do poeta para o debate da nação. Porra! Isso não se faz.
Os portugueses, pelo menos alguns deles, vão escolher em consciência mais um homem que vai gozar o resto da sua vida em condições razoáveis, se compararmos com os mais ricos do mundo.
Acabaram os pseudo-debates na televisão. Não mais irá ser mostrado aos simplórios portugueses, um monólogo entre dois amigos. E pelo visto ontem, ambos quiseram os louros do que não fizeram. Um porque foi primeiro-ministro no tempo das vacas-magras, e o outro porque não quiz fazer.
Afinal qual é o papel do presidente da republica? Ou será que eles ontem ainda não sabiam que não vão voltar a governar o país?
Finalmente acabaram... ufa!
Vamos a ver se eu volto ao normal, é que já me apercebi que ando transtornado. Porque será?